Papos e histórias absurdas que fazem todo o sentido do mundo. Porque no final das contas, ELAS sempre se entendem...
Sobre lados masculinos
Sobre braços
O cenário era a RP procurando companhia pra aula de dança de salão, a PP aprendendo a conciliar presença em 2 corais e querendo arrumar um espacinho pra academia sem ter que vender o fígado pra pagar uma, e as 2 tentando convencer a TO de que respirar fundo e cantar o mantra era a melhor solução pro momento recém-formada da amiga. Mas no meio de todas as programações pessoais conseguiram separar um domingo a tarde pra colocar os assuntos em dia...Panela de brigadeiro pronta e colheres à mão, a discussão da vez era pra colocar a público toda uma conversa que havia girado em torno de um braço. Ou melhor, como dizia o conto machadiano, uns braços. Todos os braços e seus abraços...
É isso. Falaremos sobre potencial de braço. E nesse caso, a questão seria, portanto: como se discute o verdadeiro potencial de um braço?
- Pela manga da camisa, é evidente. (Lógico que é. Alguém aí duvida?)
Mas a outra já achava que mais valia o potencial do abraço do que a gramatura do braço...
E assim elas chegam à conclusão de que gosto é igual a... Bom... Nariz?! Cada um tem o seu, cada um gosta de um, alguns parecem que não pertencem ao dono, ou foram colocados depois (pra entender de onde surgiu o comentário, clique aqui), e por aí vai. Mas uma coisa não se discute: um bom braço é sempre um bom braço!
- Lembra daquele seu amigo?
- Meu amigo?
- Sim. Um exemplo de braço!
- É? (Ela pára pra se lembrar melhor) É... Mas sabe que o outro abraça bem melhor?
- Aí já não sei...
- Ah, mas eu sei! E mesmo que o outro exemplo seja mais alto e com um potencial braçal maior, a um dado ponto sinto falta de uma certa... Proporção... Prefiro um segundo perfil de observação, que até perde em altura, mas é o que abraça melhor e num geral é hm... Mais legal de ver!
Risos à parte, elas se lembraram da festa de formatura da PP. (Quanto tempo faz? Não importa, a questão é a cena em si...) Muitas pessoas, banda no palco, mesas por toda a parte, balcão de drinks no fundo do salão.
- Pinga ou vodka?
- Ai, que braço...
- Como?
Decidem-se. Carambola com vodka, muito gelo e canudinhos coloridos! E moço, chacoalha bastante a coqueteleira, por favor. A gente vai ficar observando.
Sobre a lista do Pedrão
Você com certeza já ouviu falar do Pedrão. E, alguma vez na vida, já entrou na lista dele. Ah, e você sabe que isso é verdade.
Mas antes de qualquer coisa, calma. Vamos deixar bem claro que Pedrão não é nenhum tipo de serial killer, matador de aluguel e nem um mafioso cobrador de dívidas. O que não quer dizer que ele não possa te machucar de vez em quando...
De um modo geral, Pedrão é mais conhecido como um senhor pacífico, de barba branca e olhar bondoso, e a maior parte das pessoas o conhece pelo prenome de São. A crença principal é de que Pedrão é responsável por aquele sol fantástico que bronzeia as areias da praia, pela brisa fresquinha nas noites em que você acha que vai morrer se não tiver 3 pares de ventiladores girando ao seu redor e, pra quem gosta de temperaturas mais baixas, é só pedir pro Pedrão que, se ele não estiver muito ocupado com a lista gigante de pedidos climáticos, vai atender ao seu pedido e de repente até neva pra você ter o tão sonhado boneco de neve no jardim!
Os povos indígenas costumam chamá-lo de Tupã, enquanto os gregos acreditavam que na verdade tudo era culpa de Poseidôn, que era conhecido pelos romanos como Netuno. O que não interessa muito, porque neste caso vamos nos ater a São Pedro mesmo, que opera todas as alterações climáticas dependendo – dizem – do seu estado de humor. E se o Pedrão estiver mal-humorado, então sai de baixo porque a ira vem de cima! Literalmente. E que venha vento, venha chuva, venha raio, e se a revolta tiver muito grande e ele achar que você realmente merece um castigo da natureza à altura, desce granizo! É quando você descobre que há mais justificativas no mundo do que simplesmente “são as águas de março” ou porque “setembro chove”...
E como você sabe que ele te colocou na lista? Ah, pra isso basta um pouquinho de observação...
- Uhu! Hoje Pedrão me botou na lista!
- Como é que é? – perguntou ela que na época ainda atribuía seus problemas com as intempéries do tempo às leis de Murphy.
- É... São Pedro...
- Ah...
- E o que foi que você fez pra ele?
- Ah, devo ter pedido sol no meio do inverno... Reclamado do vento... Sei lá! Só sei que peguei uma baita chuva, sem guarda-chuva, sem capinha, a rua do meu trabalho alaga e um carro... Jogou água em mim... - Finalizou a amiga, com voz de choro.
E é assim que o Pedrão faz. Um belo dia, sem qualquer explicação ele te escolhe, te marca, prepara o céu e te molha. Simples assim. E quando você está na lista do Pedrão, nunca vai ter nem uma sombrinha, nem uma folha de jornal, nem um mísero toldo pra cobrir a sua cabeça. E se houver uma árvore, fuja, porque com certeza a chuva vem com raios e trovões, porque você está na lista do Pedrão e não há como fugir dela. É nesses momentos que aquela frase clássica que diz que quem ta na chuva ta pra se molhar começa a fazer muito sentido. Mais literalmente do que você gostaria.
Mas não se preocupe. Isso não significa que você vá precisar andar eternamente com um kit-sobrevivência pra dias de chuva ou abrir mão de roupas brancas, sandálias de couro ou tênis de tecido com aqueles buraquinhos na lateral. Ninguém fica na lista do Pedrão pra sempre, é fato. Além disso, vale a pena confiar na previsão do tempo de vez em quando, ou ao menos nos 70% de probabilidade de acerto; o que é bastante coisa se analisarmos a capacidade da natureza de ser imprevisível...
- Por que, Pedrão? Por quê?
- Ih... Mais uma que entrou pra lista...
- Ah, mas não é justo! Não fiz nada que ofendesse... Não que eu me lembre...
- Não esquenta... Pode ser que não seja pessoal...
- Mas calma aí, a gente não chegou à conclusão que se você definitivamente não consegue fugir da chuva significa que já ta na lista?
- Verdade. Se eu não to na lista me dê um motivo muitíssimo convincente pra eu estar encharcada desse jeito.
- Bom... Podia ser que ele estivesse só...
- Só o quê? – as outras 2 já impacientes.