Descrição

Sobre segundas-feiras

- Pobre daquele que inventou que segunda-feira era dia útil...
- Pobre daquele que acreditou, isso sim!
E as amigas sabiam que isso era verdade. Não importa o quanto o final de semana tenha sido emocionante e memorável, ou mesmo se não tiver acontecido absolutamente nada, segunda-feira é sempre segunda-feira.
O motorista do ônibus acha que todos os passageiros merecem estar tão empolgados quanto ele com uma retrô final dos anos 90 tocando a Macarena e uma seleção especial da época em que a gente ainda tinha pôster na parede... O que na verdade nem faz tanto tempo, pera lá! Não somos tão velhas assim.
Mas retornando ao assunto, o engarrafamento típico de quem não quis acordar e terminou perdendo a hora acontece porque é segunda-feira. A mágica de abrir os olhos que só uma bela dose de cafeína sabe fazer demora muito mais pra acontecer, se é que acontece, porque é segunda-feira. A cama é mais quente, o chuveiro é mais frio, o despertador mais irritante e o cabelo é mais feio.
Enfim, tudo acontece porque é segunda-feira.
É aquele dia em que a gente não dá bom dia (não que sejamos pessoas antipáticas, é que não sai mesmo...). É aquele dia em que a gente só começa a conversar alguma coisa depois do almoço ou lá pelas 3 da tarde, quando o segundo ou terceiro cafezinho começa a fazer algum efeito. Aí já dá pra colher algumas notícias do final de semana ou tentar se livrar daquela maldita ressaca que vai te lembrar por um certo tempo que você não devia ter exagerado tanto no sábado. Mesmo que até a próxima sexta-feira você já tenha se esquecido disso.
- Ai, não seja chata! Vai que ele botou a música porque tava tão de segunda-feira quanto você e precisava animar o dia...
- Sim, pode até ser, mas às minhas custas? Tipo, eu gosto da Macarena, mas...
- E qual era o problema então?! Não é todo mundo que suporta um heavy metal às 8 da manhã... Ai, e essa dor de cabeça...
- Vai, bebe mesmo! Vou colocar a Macarena pra você, que tal?!
E elas terminaram reconhecendo que toda a falta de humor e dor de cabeça deveria ser sono. Mas sono de quê se ela não havia feito outra coisa no final de semana senão dormir? Com certeza era o “efeito segunda” sobre a cabeça, os ombros e todo o resto do corpo da amiga que doía como se ela tivesse corrido quilômetros.
Mas elas ainda tentavam encontrar algumas compensações. Um feriado em uma segundona, por exemplo, chega a ser muito mais valioso do que 4 dias seguidos só pelo prazer de parar em um domingo a noite sem ter o anúncio prévio do Faustão de que amanhã o despertador vai tocar pra começar tudo outra vez. Fora a chance de descobrir uma semana mais curta logo no começo dela. É fantástico! Apesar de não ser capaz de eliminar a segunda-feira...
Pra compensar isso podíamos entender então que esta segunda-feira te deixa mais longe da próxima segunda-feira? E se a gente pensar bem, se toda segunda-feira fosse final de semana, aí o grande problema passaria a ser a terça, e no final das contas daria tudo na mesma, não?!
É... Não tem jeito mesmo...
Nada disso resolve o fato de ser segunda-feira... Segunda-feira... Segunda-feia! E mais todas as piadinhas e comentários de segunda linha que é possível imaginar. O dia útil mais inútil de toda a semana. E como a tendência a rejeitá-lo de nossas vidas é quase um exercício necessário à sobrevivência, nos rendemos à célebre filosofia do Garfield:
- I hate Mondays...
Era tudo o que ela conseguia dizer com uma voz rouca e arrastada.
Mas era segunda... E ela realmente não precisava dizer mais nada...

Créditos da imagem: garfield.com

Sobre lados masculinos

Diz a lenda que toda história tem 2 lados. Que tudo na vida, ou quase, tem uma segunda versão; fora as facas de 2 gumes, ying e yang, luz e sombra, etc, etc, etc...

Partindo desse princípio, pessoas também têm 2 lados e não, isso não é um post sobre bipolaridade. Sabe aquele lance de lado feminino e masculino? Que ambos coabitam em todos os indivíduos? Bem, isso é uma verdade! E nem é uma questão de confusão ou troca de gêneros. É mais aquele pontinho de equilíbrio necessário pra compreender, ou pelo menos aceitar, o outro lado da coisa. Mas como isso não é nem de longe uma análise psicológica ou um artigo médico, esse ponto de vista já é suficiente pra que esse texto comece a fazer algum sentido.

Faz tempo que Pepeu canta que ser um homem feminino não fere o lado masculino de ninguém. A partir daí podemos concluir que, embora não admitam nem sob tortura, todos os masculinos têm o seu lado feminino. Aquele que chora (pois é, e como!), que também espera o telefone tocar (ao invés disso por que simplesmente não ligam, não é?!), e que gasta um tempo considerável na frente do espelho brigando com um fio de cabelo fora do lugar (e lá se vão quilos de gel fixação 200). Sendo assim, nós também temos um lado masculino. Ah, temos sim. E personalidade suficiente pra aceitar isso sem perder nenhum tracinho da postura de diva.

Não estamos falando daquele momento cansei de ser sexy em que você decide que vai ser um urso polar, queimar depiladores, matar esteticistas e manter aquela "barriguinha sem culpa”. Neste caso, o lado masculino é aquele que transforma uma romântica incorrigível no pedreiro Moacyr, especialista nas melhores gambiarras; que faz uma menininha de dedos finos e voz delicada voar por cima de três camas e derrubar duas divas maiores que ela só por causa de um livro de cartuns; e também é responsável por fazer uma futura mamãe encarnar um caminhoneiro “quebra-tudo” com apelido terminado em “ão”.

E cada um desses lados masculinos era assumidíssimo e muito bem resolvido, com nome e sobrenome! O que, convenhamos, é uma boa forma de encarar certas reações, porque jamais em sua vida de diva você seria capaz de socar o nariz de alguém com tanta classe ou fazer suco de laranja no processador e achar que é uma coisa normal... Aliás, triturar laranjas num processador manual num dia de gripe é algo que só o seu lado masculino consegue fazer...

- Nossa, você hoje ta tão chata quanto o Theo...

Theo fazia parte da amiga da saúde, um lado masculino muito chato e exigente... Também, o que esperar de um designer de ambientes? Um afetado e afeminado designer de ambientes... Mas ainda assim um lado masculino...

- Eu só disse que quero mexer no trabalho, não gostei dessa peça onde ela está; o que tem de errado nisso? Ela não pode ficar mais 2 dedos pra direita? E eu não posso, não devo e não quero tirar menos de 10 nesse seminário.

- Tudo bem, Theo. A gente entende...

Ouve-se um barulho.

- O que você ta fazendo?

- Tentando grudar o quadro na parede de novo, ué! - Era o lado pedreiro da RP falando mais alto...

- E pra colocar o quadro no lugar precisa quebrar a parede?

- Desculpem! É que to meio chateada hoje, meu All Star está soltando inteiro e não terminei nem de pagar, então...

- Então ela decidiu derrubar a casa...

- Ok, Caco. E vai dizer que você não apronta das suas?

Caco era baterista. Irônico e autêntico, tinha crises de agressividade e raiva comprimida, e aparecia toda vez que a PP andava tentando disfarçar alguma coisa... E tudo isso porque, a princípio, ela jurava que seu lado masculino era absolutamente gay e que se chamava Ney! Até o dia em que Caco surgiu, naquele episódio do livro de cartuns. A junção dos dois (Caconey) é o lado masculino que acompanha a comunicadora até hoje.

Com o tempo, outras amigas também foram descobrindo seus lados masculinos. E assim surgiram o Du, engenheiro sempre preocupado com os estudos e que sabia calcular e dividir igualmente o valor da pizza, o João do Caminhão, vulgo Janjão (aquele do começo do texto), que a essa altura já é mamãe oficialmente faz tempo, e o Manoel, o português da padaria que adora brigadeiro, e como bom lado masculino surge na hora exata pra abrir garrafas de vinho, e por aí vai...

E o que unia esses lados masculinos tão diferentes era o chamado “princípio do boteco”. Isso mesmo, o boteco. Aquele lugar onde você racha a conta, abraça um desconhecido sem problemas pra comemorar o gol (porque seu lado originalmente feminino não entende nada de futebol mesmo), e onde você precisa de toda a força dos braços pra tirar as tampinhas das garrafas e enfrentar a fila pra acertar a comanda. E pra lidar com essas coisas que uma diva não faz, a gente apela pro lado masculino. Afinal de contas, nós somos delicadas e cheias de classe sim, e não trocamos essa escolha por nada, que fique bem claro, mas como pessoas modernas e independentes que moram fora de casa, não dá pra ficar esperando o vizinho aparecer toda vez que a gente precisar trocar a lâmpada ou abrir a tampa do vidro de azeitona, não é?!

Sobre braços

O cenário era a RP procurando companhia pra aula de dança de salão, a PP aprendendo a conciliar presença em 2 corais e querendo arrumar um espacinho pra academia sem ter que vender o fígado pra pagar uma, e as 2 tentando convencer a TO de que respirar fundo e cantar o mantra era a melhor solução pro momento recém-formada da amiga. Mas no meio de todas as programações pessoais conseguiram separar um domingo a tarde pra colocar os assuntos em dia...

Panela de brigadeiro pronta e colheres à mão, a discussão da vez era pra colocar a público toda uma conversa que havia girado em torno de um braço. Ou melhor, como dizia o conto machadiano, uns braços. Todos os braços e seus abraços...
É isso. Falaremos sobre potencial de braço. E nesse caso, a questão seria, portanto: como se discute o verdadeiro potencial de um braço?

- Pela manga da camisa, é evidente. (Lógico que é. Alguém aí duvida?)
Mas a outra já achava que mais valia o potencial do abraço do que a gramatura do braço...

E assim elas chegam à conclusão de que gosto é igual a... Bom... Nariz?! Cada um tem o seu, cada um gosta de um, alguns parecem que não pertencem ao dono, ou foram colocados depois (pra entender de onde surgiu o comentário, clique aqui), e por aí vai. Mas uma coisa não se discute: um bom braço é sempre um bom braço!

- Lembra daquele seu amigo?
- Meu amigo?
- Sim. Um exemplo de braço!
- É? (Ela pára pra se lembrar melhor) É... Mas sabe que o outro abraça bem melhor?
- Aí já não sei...
- Ah, mas eu sei! E mesmo que o outro exemplo seja mais alto e com um potencial braçal maior, a um dado ponto sinto falta de uma certa... Proporção... Prefiro um segundo perfil de observação, que até perde em altura, mas é o que abraça melhor e num geral é hm... Mais legal de ver!

Risos à parte, elas se lembraram da festa de formatura da PP. (Quanto tempo faz? Não importa, a questão é a cena em si...) Muitas pessoas, banda no palco, mesas por toda a parte, balcão de drinks no fundo do salão.
- Pinga ou vodka?
- Ai, que braço...
- Como?
Decidem-se. Carambola com vodka, muito gelo e canudinhos coloridos! E moço, chacoalha bastante a coqueteleira, por favor. A gente vai ficar observando.