Descrição

Sobre segundas-feias - parte 2 (quase 5 anos depois)

A amiga RP acordou atrasada em mais uma segunda feia... Saiu correndo, tomou banho e lembrou que não tinha mais uniforme, o que ia exigir um pouco mais de tempo de manhã...

Mas isso não seria possível. Era um dia de atraso e ela simplesmente vestiu qualquer coisa diferente do pijama e se lembrou que estava com dor de cabeça por ter dormido com o cabelo preso pra facilitar a vida. Claro que o cabelo deu nó e exigiu mais um tempinho. Ok, sem problemas! Viva o abacaxi!

Pra quem nunca ouviu falar, é aquele famoso coque que você faz juntando todo o seu cabelo e prendendo no topo da cabeça ;)  

E entre conseguir comprar café da manhã e sair com o cachorro, ela decidiu sair com o cachorro. Tadinho, ele não tem culpa... E lá foi ela. Mas era uma segunda feia, e lá foi o cachorro parando em todos, TODOS os postes possíveis e impossíveis...

Mas correria à parte, ela voltou, pegou o primeiro hidratante que achou e bora. Só não reparou que era um hidratante com efeito iluminador, ou seja, glitter dourado, pra sair purpurinada pela rua e brilhar no sol e aí ela pensou que definitivamente não queria ser um vampiro do Crepúsculo. E para completar, tudo isso foi depois do fim de semana em que o pagamento não caiu, ela passou R$ 1,00 no débito e ainda eram 9 horas da manhã...
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Enquanto isso, do outro lado da cidade, porque a PP trabalha em lugar muito muito longe da civilização, o telefone tocou. Era o marido chamando ela pelo nome - porque chamou pelo nome, sem apelido, sem diminutivo, é porque a coisa é séria mesmo! Ela tinha saído com a chave dele e deixado o coitado trancado dentro de casa.

Aí ela avisou os chefes de qualquer jeito e saiu correndo ladeira abaixo - sim, porque além de tudo o lugar fica no alto de um morro - chamou um táxi e implorou pra ele correr o quanto fosse possível numa segunda-feia em que todo mundo aparentemente resolveu sair de carro e ao mesmo tempo...

No meio do caminho ela foi fazendo o que sabe fazer de melhor atualmente: abrir o bocão! Porque se assustou, porque ficou nervosa e porque tava se sentindo a pessoa mais estúpida do universo. E uns 40 minutos depois ela estava de volta em casa - com uma senhora cara de alface - e destrancou o marido, que ainda deu uma carona pra ela de volta pro trabalho, já que ele tinha perdido o primeiro horário mesmo...
Afinal, não basta ser segunda, tem que ser feia!
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Até então a pergunta era “Como assim você deixou o moço trancado?”. Mas a RP decidiu que era melhor não perguntar. Ia causar mais uma crise de choro e já era o bastante pra hoje...

- Bom, você desejou uma vida emocionante e divertida né? - Foi tudo que a RP conseguiu dizer.

Dizer, dizer não, escrever no e-mail de “bom dia!”, aquele que você envia pra ver se alguém pode estar tendo um “bom dia!” numa segunda, e foi assim que ela ficou sabendo de toda a situação.

- Bora esperar calmaria, não?

Não, definitivamente não.
O que aconteceu é que a PP e o marido viajaram no final de semana e ele colocou a cópia da chave dele na bolsa dela, que ainda disse "Deixa comigo que eu não te deixo esquecer". Mas ela, ainda de posse do título de Ex Mulher de Murphy - aquele cara que pede pra S. Pedro fazer chover no seu figurino branco e faz o seu pão cair com a manteiga pra baixo, claramente tinha mais 2 conjuntos de chave (de outras casas) dentro da bolsa, misturou todas elas e nenhum dos dois lembrou de pegar. Foi isso.

Mas a PP não gosta de errar e fica irritada e xinga muito no Twitter e, de uns 2 anos pra cá, ela chora, e fica mais irritada, e o ciclo continua...

- Temos um começo de texto novo? Após revisões?

- Temos sim! Um sobre segundas-feias - parte 2 e quase 5 anos depois...

Porque as segundas são outra coisa que nunca mudam.

Sobre a volta do Dialetos

Então a gente resolveu que ia voltar. 
Eeeeeeeeee
E voltamos um pouco mais... hm... maduras e responsáveis? Será que dá pra usar isso? Tipo, a gente cresceu, mudou de casa, mudou de salário, assumiu umas responsabilidades a mais e tals, e resolveu voltar.
Porque o tipo de papo mudou, boa parte das conversas agora é via e-mail, a gente perdeu a TO de vista, mas continua "dialetando" mesmo assim. 

E o retorno já começou com a PP esquecendo como se acessa o blog. Sem ID, sem senha, nem nada - porque ela não se lembra, não salvou a informação em lugar nenhum e, ah... Algumas coisas nunca mudam rs

A RP: Voltamos no dia 29 de fevereiro!
A PP: Eu gosto. 29 de fevereiro é interessante pq não acontece sempre, tipo a gente voltar a escrever. É uma coisa que demorou mas vai acontecer... 
A RP: Dá uma olhada. Eu coloquei um fundo de poá, azul e branco. (poá = aqueles tecidos de bolinha, tá gente? caso alguém não saiba rs)
A PP: Ah, então... Acho que a gente é mais vermelho do que esse azul calcinha...
A RP: Obrigada por dizer isso! - aparentemente ela também não tinha gostado muito do azul.

E no fim das contas o layout terminou no branco e preto até elas decidirem o que fazer.

Aí a RP deu uma pesquisada e descobriu que, na numerologia, 29 de fevereiro é considerado um grande aniversário. 
Um dia pra gente que precisa aceitar que as coisas mudam e que precisam de espaço para exercitar seu lado artístico e dramático...
Era perfeito! Era um número primo! Era a idade delas! 

A PP: Ok, essa parte da idade não me deixa tão animada assim...
A RP: Opa! Mas qual o problema do quase 30? Afinal, esse não é um 29 qualquer, é um 29 de fevereiro ano bissexto, é um acontecimento, digno daquelas paradinha do Facebook sabe? 

Bom, mas essa coisa dos quase 30 é uma discussão pra outro dia! 
Tem tanta coisa nova pra contar e tanta coisa antiga pra complementar... Tem tanta coisa pra fazer... 
Por isso tenham paciência com a gente e não nos abandonem que tem mais história vindo por aí, ok?

Beijo!

Sobre segundas-feiras

- Pobre daquele que inventou que segunda-feira era dia útil...
- Pobre daquele que acreditou, isso sim!
E as amigas sabiam que isso era verdade. Não importa o quanto o final de semana tenha sido emocionante e memorável, ou mesmo se não tiver acontecido absolutamente nada, segunda-feira é sempre segunda-feira.
O motorista do ônibus acha que todos os passageiros merecem estar tão empolgados quanto ele com uma retrô final dos anos 90 tocando a Macarena e uma seleção especial da época em que a gente ainda tinha pôster na parede... O que na verdade nem faz tanto tempo, pera lá! Não somos tão velhas assim.
Mas retornando ao assunto, o engarrafamento típico de quem não quis acordar e terminou perdendo a hora acontece porque é segunda-feira. A mágica de abrir os olhos que só uma bela dose de cafeína sabe fazer demora muito mais pra acontecer, se é que acontece, porque é segunda-feira. A cama é mais quente, o chuveiro é mais frio, o despertador mais irritante e o cabelo é mais feio.
Enfim, tudo acontece porque é segunda-feira.
É aquele dia em que a gente não dá bom dia (não que sejamos pessoas antipáticas, é que não sai mesmo...). É aquele dia em que a gente só começa a conversar alguma coisa depois do almoço ou lá pelas 3 da tarde, quando o segundo ou terceiro cafezinho começa a fazer algum efeito. Aí já dá pra colher algumas notícias do final de semana ou tentar se livrar daquela maldita ressaca que vai te lembrar por um certo tempo que você não devia ter exagerado tanto no sábado. Mesmo que até a próxima sexta-feira você já tenha se esquecido disso.
- Ai, não seja chata! Vai que ele botou a música porque tava tão de segunda-feira quanto você e precisava animar o dia...
- Sim, pode até ser, mas às minhas custas? Tipo, eu gosto da Macarena, mas...
- E qual era o problema então?! Não é todo mundo que suporta um heavy metal às 8 da manhã... Ai, e essa dor de cabeça...
- Vai, bebe mesmo! Vou colocar a Macarena pra você, que tal?!
E elas terminaram reconhecendo que toda a falta de humor e dor de cabeça deveria ser sono. Mas sono de quê se ela não havia feito outra coisa no final de semana senão dormir? Com certeza era o “efeito segunda” sobre a cabeça, os ombros e todo o resto do corpo da amiga que doía como se ela tivesse corrido quilômetros.
Mas elas ainda tentavam encontrar algumas compensações. Um feriado em uma segundona, por exemplo, chega a ser muito mais valioso do que 4 dias seguidos só pelo prazer de parar em um domingo a noite sem ter o anúncio prévio do Faustão de que amanhã o despertador vai tocar pra começar tudo outra vez. Fora a chance de descobrir uma semana mais curta logo no começo dela. É fantástico! Apesar de não ser capaz de eliminar a segunda-feira...
Pra compensar isso podíamos entender então que esta segunda-feira te deixa mais longe da próxima segunda-feira? E se a gente pensar bem, se toda segunda-feira fosse final de semana, aí o grande problema passaria a ser a terça, e no final das contas daria tudo na mesma, não?!
É... Não tem jeito mesmo...
Nada disso resolve o fato de ser segunda-feira... Segunda-feira... Segunda-feia! E mais todas as piadinhas e comentários de segunda linha que é possível imaginar. O dia útil mais inútil de toda a semana. E como a tendência a rejeitá-lo de nossas vidas é quase um exercício necessário à sobrevivência, nos rendemos à célebre filosofia do Garfield:
- I hate Mondays...
Era tudo o que ela conseguia dizer com uma voz rouca e arrastada.
Mas era segunda... E ela realmente não precisava dizer mais nada...

Créditos da imagem: garfield.com